terça-feira, 2 de setembro de 2008

Considerando que ando escrevendo protocolos de emergência pediátrica junto com meus colegas, mas como coordeno o serviço sou eu quem escreve mais, percebi que com este são 3 os livros de pediatria que escrevi como colaboradora. Nada mal para uma médica comum feito eu. E eu queria escrever um livro de poesias... mas a Medicina grita! Grita sempre em minha alma, em minhas ações e até na minha pobre poesia. Viciada em Medicina...em maio de 2000 escrevi um pequeno poema sobre a minha visão da Medicina. Quase nada mudou, talvez a minha impaciência com adultos ( os que se acham, os arrogantes ignorantes, os donos das inúmeras verdades existentes) tenha piorado... não sei. O poema é este:

DORES


Convivência quase diária com a dor,
Ora externa, ora interna,
Mais ou menos aguda,
Compromissada, meu destino.

Não posso dizer da dor maior,
Ainda não a identifiquei.
Posso dizer de dores várias,
Minhas, ou com-partilhadas.

Posso dizer da dor de não ser poeta,
De não ser estável,
De não ser perene.

Posso dizer da dor pueril,
Olhos, gestos, um respirar suave
Repentinamente cessado.

Posso dizer da dor do não conhecido,
Uma saudade do não visto,
Do tempo escasso, da ignorância consciente,
Do tempo que me resta.

Procurar reconhecer dores esquecidas,
Autopiedade, irracional, dolorosa dor,
Dores, dolores, delírios,
Dolorosa Mater.

É.. nem está mal esse poeminha:)